Na janela do trem


Em Belo Horizonte pegamos o trem da Vale que partiu as 7:30. A paisagem vista da Estrada de Ferro Vitória-Minas sinaliza os rumos do desenvolvimento econômico. Um futuro amargo cheio de progresso passado. O trem da Mineradora Multinacional Vale que explora a região, se divide em duas classes sociais e anda bem devagarzinho. A voz microfonada anuncia orgulhosa que estamos no único trem que funciona diariamente no Brasil para transporte de passageiros. 1 milhão de pessoas transportadas a cada ano. Penso nessas pessoas. Onde elas vivem e qual o destino delas. Na televisão passa filmes de Walt Disney. Atravesso a lanchonete com cheiro forte de gordura. Da janela vejo infinitos trens de carga que passam. Cada vagão leva duas toneladas e meia de minérios. Cada trem desloca 280 vagões. Quantos trens de carga da Vale saem diariamente de Minas Gerais em direção ao porto de Vitória? Pequenas cidades atreladas às 52 estações parecem surgir do nada. Trilhos de ferro, vagões e mineradoras cortam a natureza silenciosa. As perfurações da terra são um estupro empresarial.


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