Da lama tóxica ao aquecimento/esquecimento global


Trecho Bh-Vitória / Foto: Eloísa Brantes

Extração de minério no trecho Bh-Vitória / Foto: Eloísa Brantes

Coincidência. O dia em que a equipe completa de “Volume Morto” chega na Vila de Regência, Donald Trump decide a saída unilateral dos Estados Unido do Acordo de Paris sobre o Clima. Em dezembro de 2015, 194 países assinaram esse documento histórico com o compromisso de conter o aumento da temperatura global. Ora, o presidente do segundo país com maior impacto no aquecimento global, e da primeira potência econômica, diplomática e militar do planeta, foge das suas responsabilidades deixando o mundo em chamas.

A situação atual de pequena vila Regência na boca do Rio Doce é indissociável do crime socioambiental da Samarco (VALE/ BHP Billiton), que desde novembro de 2015 atingiu o Rio Doce - um dos maior rio do Brasil - em quase todo o seu comprimento.

Mas esse crime socioambiental – provavelmente o maior que o Brasil já conheceu -, participa também de um cenário dominante cujo paradigma global ultrapassa as fronteiras do Brasil e que, na sua pior vertente possível, é representada pela atual decisão do Trump.

Extração e uso sem freio das energias fósseis, mineração extremamente predatória, desflorestação, agricultura intensiva e industrial... Tudo isso reflete uma relação predatória do homem com a natureza e um modelo de desenvolvimento insustentável. O capitalismo descontrolado, que se tornou o modelo econômicohegemônico, continua desconsiderando as consequências ambientais e sociais das suas atividades.

O crime ambiental da Samarco e a decisão do Trump são as duas faces de mesma irresponsabilidade do “povo da mercadoria”, como o militante indígena e xamã Davi Kopenawa chama, por oposição aos “povos da floresta”, os homens brancos*.

*Bruce Albert e Davi Kopenawa, A queda do céu. Palavras de um xamã yanomami, Cia das Letras, 2016.


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