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4 Jun 2017

27 bandas de Congo do Estado de Espírito Santo e Minas Gerais começaram a chegar aos poucos no domingo de manhã.  A força coletiva dos ritmos, cantos e danças mobilizam energias vitais, espirituais e sensuais.  A devoção dos corpos me escapa e me atravessa. Os Santos louvados transbordaram de alegria. A igreja aberta dispensa a presença de padres. O diálogo entre devotos e Santos é íntimo e festivo ao mesmo tempo. Testemunho a potência do sagrado em dádivas de si. Gestos generosos alargam o senso da festa. No ritmo do Congo as pessoas se entregam ao corpo que é alma. Na alegria dos encontros quase ninguém se cansa. Quem cansa descansa para tornar a tocar e dançar. A intensidade do tempo é infinita. No final da festa Zé da Casaca, um homem forte, exímio tocador de casaca e bom bebedor de cachaça, me confessa sua tristeza em retornar ao trabalho no dia seguinte. Mas sorrindo ele tem a certeza de voltar no próximo ano.  

FOTO: Jérôme Souty

FOTO: Jérôme Souty

FOTO: Jérôme Souty

Zé da...

3 Jun 2017

Em Belo Horizonte pegamos o trem da Vale que partiu as 7:30.  A paisagem vista da Estrada de Ferro Vitória-Minas sinaliza os rumos do desenvolvimento econômico. Um futuro amargo cheio de progresso passado. O trem da Mineradora Multinacional Vale que explora a região, se divide em duas classes sociais e anda bem devagarzinho. A voz microfonada anuncia orgulhosa que estamos no único trem que funciona diariamente no Brasil para transporte de passageiros.  1 milhão de pessoas transportadas a cada ano.  Penso nessas pessoas. Onde elas vivem e qual o destino delas. Na televisão passa filmes de Walt Disney. Atravesso a lanchonete com cheiro forte de gordura. Da janela vejo infinitos trens de carga que passam. Cada vagão leva duas toneladas e meia de minérios. Cada trem desloca 280 vagões. Quantos trens de carga da Vale saem diariamente de Minas Gerais em direção ao porto de Vitória? Pequenas cidades atreladas às 52 estações parecem surgir do nada.  Trilhos de ferro, vagões e mineradoras corta...

3 Jun 2017

Auto do Caboclo Bernardo encenado pela Cia de Artes Regência Augusta. O grupo de teatro da Vila conta a vida deste herói adorado na foz do Rio Doce.  

Caboclo Bernardo
Nativo da Vila de Regência, salvou a tripulação do navio Imperial Marinheiro, enviado em 1887 para traçar a carta náutica da costa norte capixaba, a fim de evitar o naufrágio das embarcações que transitavam no Rio Doce. Muitas delas encalhavam nos recifes e bancos de areia situados na foz do Rio Doce, onde este navio também naufragou. Caboclo Bernardo sozinho, segurando uma corda nos dentes, se lançou ao mar cinco vezes e salvou 128 homens da tripulação do naufrágio. Princesa Isabel o condecorou como herói nacional. Caboclo Bernardo era descendente dos índios botocudos que habitavam a região. Sua coragem parece ecoar a bravura destes índios, que resistiram as violentas ações e políticas de extermínio da colonização branca. Mas esta parte da história ainda não foi bem contada.

De noite saímos da festa para ver o rio. Ao che...

2 Jun 2017

Foto: Jerome Souty 

A banda de Congo com mulheres, crianças e homens, toca na praça e segue cantando até entrar na sala sede da associação de moradores.  Estamos na cerimônia de abertura oficial da festa do Caboclo Bernardo. Deputados e Vereadores do Município de Linhares, devidamente engravatados, se elogiam mutuamente e prometem dias melhores aos moradores da Vila de Regência. O tom dos discursos contrasta com a vitalidade sonora da banda de Congo. A presença do Mestre do Congo exala respeito. Uma deputada fala das dificuldades dos moradores de Povoação com a chegada da lama e pede ajuda para esta comunidade de pescadores que vive do outro lado do Rio Doce. A autoridade do mestre Guimaldo traz a força dos tambores na leveza da dança. Seu corpo rege, luta, brinca e louva.  

2 Jun 2017

A marca da água mineral esquecida na Estação Piraqueaçu/ ES me intriga. O rótulo da garrafa  me fala dos índios Krenak vivendo a morte do Rio Doce.  Dias depois vejo na internet que esta água tirada das “fontes cristalinas” do Parque dos Sete Salões é muito saudável. A fonte de águas puras se situa em território sagrado dos índios Krenak, que de lá foram retirados pelos agentes do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em 1958. Após décadas de luta pela sua terra de pertencimento no vale do Rio Doce, a Reserva Indígena Krenak foi formalizada pela Justiça em 1997 (Município de Resplendor/ MG). Mas a reivindicação pela inclusão das terras do Parque Estadual dos Sete Salões à Reserva Indígena é uma luta atual dos Krenak. A sacralidade das cavernas e da natureza  no simbolismo desse território são partes da ancestralidade dos Krenak* que após a chegada da lama no Rio Doce sobrevivem com o fornecimento de água em carros pipa.  
 

*Território Sagrado: Exílio, Diáspora e Reconquis...

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June 4, 2017

June 3, 2017

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